ANÁLISE ECONÔMICA | O crescimento das contas bancárias e dos meios de pagamento digitais representou um avanço no acesso ao sistema financeiro, mas não assegurou igualdade nas condições de financiamento. O Relatório de Cidadania Financeira 2025 do Banco Central, com dados referentes a 2024, identificou diferenças relevantes no custo médio do crédito por gênero e raça.
O que revelam as taxas
Entre pessoas inscritas no Cadastro Único, a taxa média ponderada do crédito contratado por mulheres negras alcançou 140% ao ano, conforme os dados apresentados pelo Banco Central. Para mulheres brancas, o indicador foi de 128%; para homens negros, 110%; e para homens brancos, 97%. Esses números medem o custo médio das carteiras analisadas, não uma taxa única cobrada em todos os contratos.
A diferença não demonstra, isoladamente, que um banco tenha aplicado discriminação direta ao aprovar empréstimos. O custo contratado também reflete modalidades utilizadas, renda, garantias, histórico e condições financeiras. Ainda assim, o resultado evidencia uma desigualdade concreta que precisa ser enfrentada por políticas de crédito e por práticas mais transparentes.
A composição da carteira importa
O estudo indica que mulheres negras de baixa renda recorrem proporcionalmente mais a modalidades caras, como o rotativo e o parcelamento da fatura do cartão. Ao mesmo tempo, alternativas de crédito produtivo mais adequadas às necessidades de pequenos negócios não necessariamente chegam com a mesma facilidade ou custo.
Essa estrutura pode criar uma situação paradoxal: pessoas formalmente incluídas no sistema bancário continuam pagando caro para acessar liquidez. O número de contas abertas é um indicador de acesso; a qualidade da inclusão depende de custos, possibilidades de escolha e capacidade de utilizar crédito de maneira sustentável.
A resposta precisa ser estrutural
A educação financeira pode ajudar o consumidor a compreender contratos, mas não modifica sozinha sua renda, seu patrimônio ou a disponibilidade de garantias. É necessário avaliar o desenho das linhas de financiamento, a competição por clientes, as condições oferecidas a pequenos empreendedores e a existência de tratamento inadequado por parte das instituições.
O sistema bancário só pode afirmar que ampliou a inclusão de maneira efetiva quando a expansão dos serviços vier acompanhada de melhores condições de financiamento, especialmente para os grupos historicamente mais vulneráveis.
Fonte: TV Brasil — divulgação do Relatório de Cidadania Financeira do Banco Central.
Fonte: Banco Central — cidadania e inclusão financeira.
Imagem de capa ilustrativa. Análise editorial do FandNews; os argumentos devem ser distinguidos dos dados atribuídos às fontes.
Para aprofundar: Concentração do crédito nos grandes bancos · Juros do cartão de crédito.



