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Supermercados registram avanço nas vendas após restrições às bets; efeito no consumo ainda exige análise

Abras aponta altas de 6,5% e 6,3% em semanas de outubro e associa parte do movimento à redução das apostas.

Imagem ilustrativa de compras de alimentos e orçamento familiar.

Pesquisa da Associação Brasileira de Supermercados identifica crescimento do varejo alimentar em outubro; entidade vê possível relação com restrições às apostas.

As vendas do varejo alimentar brasileiro cresceram 6,5% entre 5 e 11 de outubro de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Na semana seguinte, de 12 a 18 de outubro, a expansão registrada foi de 6,3%.

Os resultados foram apresentados pela entidade após a edição de uma medida provisória que restringiu as apostas de quota fixa no país, em setembro. Para a Abras, a mudança pode ter contribuído para redirecionar parte do orçamento das famílias para a compra de alimentos, especialmente produtos básicos.

O que mostram os números

O crescimento observado nas duas semanas ocorreu em diferentes regiões e formatos de varejo, incluindo supermercados, atacarejos e estabelecimentos menores. A Abras destacou o desempenho de itens essenciais, como arroz, óleo, macarrão e café.

Na semana de 5 a 11 de outubro, o Sul do país apresentou expansão de 10,6% nas vendas de alimentos em relação ao mesmo intervalo de 2025. Na semana de 12 a 18 de outubro, o avanço da região foi de 9%. Os percentuais indicam uma evolução expressiva, mas não uniforme entre as regiões.

Associação temporal não é prova de causalidade

A coincidência entre restrições às apostas e crescimento do consumo é um dado relevante, mas, isoladamente, não demonstra que uma medida tenha provocado a outra. Renda disponível, inflação dos alimentos, promoções, calendário de compras e condições do emprego também podem influenciar o volume vendido.

Para compreender a dimensão do possível efeito, seria necessário comparar períodos mais longos e considerar diferenças entre regiões e grupos de consumidores. A evolução das despesas com apostas e com alimentação ajudaria a identificar se houve substituição efetiva entre esses dois destinos do orçamento.

Por que o tema importa

O debate envolve mais do que o desempenho dos supermercados. Ele diz respeito à forma como as famílias distribuem recursos limitados entre necessidades imediatas, consumo e atividades de risco financeiro.

Caso a redução das apostas esteja associada a uma recuperação das despesas com bens essenciais, o movimento poderá ter consequências para a segurança financeira dos domicílios e para o comércio. Por enquanto, o levantamento da Abras oferece um sinal a acompanhar, e não uma conclusão definitiva sobre as causas do aumento das vendas.

Fonte: Agência Brasil — levantamento da Abras.

Imagem: ilustração editorial. Não representa registro fotográfico do acontecimento.

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